Notas de Leitura

Poussin, Alexandre; Poussin, Sonia, Africa Trek. In the Footsteps of Mankind, 2 Volumes, Portland – Oregon, Inkwater Press, 2008.

Poussin, Alexandre; Poussin, Sonia, Africa Trek. In the Footsteps of Mankind, 2 Volumes, Portland – Oregon, Inkwater Press, 2008.

Quando visualizei este projeto no Travel Channel, por ocasião da emissão dos 12 episódios da série Africa Trek. In the Footsteps of Mankind, fiquei fascinada com a ousadia dos seus protagonistas, Alexandre e Sónia Poussin, um casal francês que teve a ideia de percorrer todo o continente africano a pé. Sem dúvida, uma odisseia notável e absolutamente fascinante, pois sempre apreciei os relatos de viagens que fogem aos itinerários habituais, confortáveis e massificados. Tendo por base os registos diários efetuados pelos autores, este livro, dividido em dois volumes, representa uma abordagem interessantíssima sobre o continente africano e sobre os principais problemas políticos, económicos e sociais vivenciados pelas suas diversificadas populações. No volume I, intitulado From the Cape of Good Hope to Mount Kilimanjaro, os viajantes percorrem a África do Sul, Lesotho, Zimbabwe, Moçambique, Malawi e Tanzânia. Já no segundo, cujo título é From Mount Kilimanjaro to the Sea of Galilee, são percorridos o norte da Tanzânia, Quénia, Etiópia, Sudão, Egipto e Israel.
A viagem teve início no Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, no dia 1 de Janeiro de 2001 e terminou junto ao Mar da Galileia, em Israel, a 16 de Março de 2004. Decorreu ao longo de 1.171 dias, nos quais foram percorridos 13.847 quilómetros. Interessa salientar que foi efetuada sem quaisquer patrocínios ou apoios específicos no terreno. Isto é, os dois viajantes foram apenas munidos das respectivas mochilas, cada uma pesando 7 quilos e contendo o equipamento estritamente necessário, além da câmara de filmar, da máquina fotográfica e dos cadernos onde registavam as experiências vivenciadas no dia-a-dia. Porquê nestes termos? Porquê empreender algo que implicou abdicar de todo o tipo de conforto e segurança? São os próprios autores que nos explicam. Com efeito, assumem que este projeto, realizado simbolicamente em celebração dos 2000 anos de história da Humanidade, teve por principal objetivo empreender uma caminhada pelo coração da África contemporânea e partilhar as condições de vida das suas populações. A confraternização com os locais, quando os viajantes lhes pediam abrigo e hospedagem, assumiu um papel fundamental porque, justamente, lhes permitiu uma percepção realista do ambiente social, político e económico dos países percorridos.
Caminhar tornou-se uma raison d´être, segundo os autores. Caminharam em cumprimento do objetivo a que se propuseram. Disciplina, rigor, intuição e discernimento foram os fatores imprescindíveis que lhes permitiram enfrentar as maiores adversidades e nunca desistir. Quando chegaram ao Mar da Galileia e ao fim da sua odisseia, os autores vivenciaram uma alegria serena e silenciosa e, num gesto de profunda humildade, dirigiram os seus pensamentos, memórias e orações a todas as pessoas - the african hosts - que os receberam e lhes deram abrigo e que, formando uma imensa e espontânea cadeia de solidariedade, humanidade e bondade, lhes permitiram que esta caminhada fosse possível.