Andresen, Sophia de Mello Breyner, Poesia; Coral; Mar Novo; No Tempo Dividido, Porto, Assírio e Alvim, 2013.
Numa colecção dirigida por Carlos Mendes de Sousa, a editora Assírio & Alvim publicou quatro livros de Sophia de Mello Breyner Andresen, a saber: Poesia, Coral, Mar Novo, e No Tempo Dividido, prefaciados, respectivamente por Pedro Eiras, Manuel Gusmão, Fernando Martinho e Federico Bertolazzi.
Sophia é única pela limpidez e luminosidade da sua escrita. É a minha poeta de eleição, porque me revela a pureza e a plenitude da língua portuguesa, numa construção que nos expõe “o que está no mundo e já o excede: o que é denso, tenso, latente e pleno” [Poesia, p.16]. Porque a sua escrita, exacta e rigorosa, “investigando pela palavra a relação do homem com o real” [No Tempo Dividido, p.12], traz à superfície a beleza interior das coisas e magnetiza o leitor que, seguramente, não fica indiferente à complexa simplicidade da poesia de Sophia.
Deixo alguns excertos, absolutamente marcantes:
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
[in Mar Novo, p.44]
Numa disciplina constante procuro a lei da liberdade medindo o equilíbrio dos meus passos.
[in Coral, p.34]

