Notas de Leitura

Mendonça, José Tolentino, A noite abre meus olhos [poesia reunida], 3ª Edição, Assírio & Alvim, 2014.

Mendonça, José Tolentino, A noite abre meus olhos [poesia reunida], 3ª Edição, Assírio & Alvim, 2014.

Numa edição particularmente bem conseguida, a Assírio & Alvim reuniu toda a poesia de José Tolentino Mendonça, um dos nomes maiores da literatura portuguesa da actualidade. São dez obras aqui incluídas, a saber: Os dias contados; Longe não sabia; A que distância deixaste o coração; Baldios; De igual para igual; Estrada branca; Tábuas de pedra; O viajante sem sono; Estação central; A papoila e o monge. O posfácio de Jerónimo Pizarro revela-nos as palavras de quem estuda e analisa a complexidade do trabalho deste Autor.
Da minha parte, mera apreciadora do universo da palavra escrita, limitar-me-ei a dizer como impressiona esta vasta obra poética marcada pela profundidade intelectual, conceptual e emocional de uma visão do mundo – material e espiritual -, que o Autor, nas melhores palavras, consegue expressar. A minha favorita é A papoila e o monge. Numa sucinta apresentação, José Tolentino Mendonça recorda, com sensibilidade e humor, a génese deste livro, cuja escrita foi o resultado de uma viajem ao Japão, feita em 2010, a convite do Centro Nacional de Cultura, sob o mote Os portugueses ao encontro da sua história.
Nesta obra, o Autor, inspirado pelos escritores Bashô e Jack Kerouac, elabora a sua versão do haiku, uma composição característica da literatura japonesa e formada por três curtos versos, perfeitamente construídos. Na senda de Kerouac, demonstra-nos a capacidade deste género para revelar a «coisa verdadeira» [p.287].

Destaco a perfeição deste:

O silêncio não é um modo
de repouso ou suspensão
mas de resistência

In Escola do Silêncio, p.297