Notas de Leitura

Tagore, Rabindraneth, A Asa e a Luz. [aforismos] [poemas breves], Assírio & Alvim, 2016.

Com tradução e prefácio de Joaquim Palma, este livro reúne duas obras de R.Tagore, intituladas Pássaros Perdidos e Pirilampos, escritas originalmente em bengali e posteriormente traduzidas para inglês pelo próprio Autor, num estilo literário caracterizado pela brevidade, pela simplicidade e pela profundidade das palavras escolhidas. Joaquim Palma, para além da interessantíssima nota biográfica de R.Tagore, dá-nos uma curiosa explicação acerca do título A Asa e a Luz. Este resulta de uma escolha sua, liberdade de um bom tradutor, feita em consideração das características dos principais sujeitos de cada um dos textos em apreço – os pássaros e os pirilampos -. De igual modo, o cuidado de colocar entre parenteses retos as palavras aforismos e poemas breves, em sintonia com o estilo literário conteúdo.  Uma e outra foram escritas no final do primeiro quartel do século XX, e profundamente inspiradas pelas viagens feitas pelo seu Autor ao extremo Oriente. A forma da poesia haiku inspirou particularmente as duas obras. Assim, de uma maneira tão concisa, quanto reflexiva, expressando resumidamente sentidos e pensamentos, Pássaros Perdidos e Pirilampos permitem conhecer, nas palavras de Joaquim Palma, uma forma peculiar de abordagem ao real e ao transcendental. Logo, uma escrita que está dirigida ao «coração dos leitores» e que, pessoalmente, me encantou.  Saliento dois desses breves pensamentos:  Como o anoitecer entre as árvores silenciosas, assim a minha mágoa se vai acalmando em paz no coração.  In Pássaros Perdidos, p.21  Estou em condições de amar Deus porque ele concede-me liberdade para o negar.  In Pirilampos, 141

Com tradução e prefácio de Joaquim Palma, este livro reúne duas obras de R.Tagore, intituladas Pássaros Perdidos e Pirilampos, escritas originalmente em bengali e posteriormente traduzidas para inglês pelo próprio Autor, num estilo literário caracterizado pela brevidade, pela simplicidade e pela profundidade das palavras escolhidas. Joaquim Palma, para além da interessantíssima nota biográfica de R.Tagore, dá-nos uma curiosa explicação acerca do título A Asa e a Luz. Este resulta de uma escolha sua, liberdade de um bom tradutor, feita em consideração das características dos principais sujeitos de cada um dos textos em apreço – os pássaros e os pirilampos -. De igual modo, o cuidado de colocar entre parenteses retos as palavras aforismos e poemas breves, em sintonia com o estilo literário conteúdo.
Uma e outra foram escritas no final do primeiro quartel do século XX, e profundamente inspiradas pelas viagens feitas pelo seu Autor ao Extremo Oriente. A forma da poesia haiku serviu de inspiração a ambas. Assim, de uma maneira tão concisa, quanto reflexiva, expressando resumidamente sentidos e pensamentos, Pássaros Perdidos e Pirilampos permitem conhecer, nas palavras de Joaquim Palma, uma forma peculiar de abordagem ao real e ao transcendental. Logo, uma escrita que está dirigida ao «coração dos leitores» e que, pessoalmente, me encantou.

Saliento dois desses breves pensamentos:

Como o anoitecer entre as árvores silenciosas, assim a
minha mágoa se vai acalmando em paz no coração.

In Pássaros Perdidos, p.21

Estou em condições de amar Deus
porque ele concede-me liberdade para o negar.

In Pirilampos, 141