Notas de Leitura

Dickinson, Emily, Cem Poemas, Tradução, Posfácio e Organização de Ana Luísa Amaral, Lisboa, Relógio de Água, 2010.

Dickinson, Emily, Cem Poemas, Tradução, Posfácio e Organização de Ana Luísa Amaral, Lisboa, Relógio de Água, 2010.

O meu primeiro contacto com a poesia de Emily Dickinson (1830-1886) aconteceu com a visualização do filme de Alan Pakula, A Escolha de Sofia (1982). A personagem principal, Sofia Zawistowski, é uma jovem mulher polaca sobrevivente ao Holocausto que, recém-chegada a Nova Iorque, procura aprender a língua inglesa. Nesse seu processo de aprendizagem, Sofia revela interesse em conhecer a obra poética de Emily Dickinson. Aliás, é o belíssimo poema “Ample make this Bed” (p.32) que surge recitado neste filme de uma forma deveras intensa.
Cem Poemas, magnificamente traduzidos por Ana Luísa Amaral, é um livro que me permitiu ficar a conhecer a obra tão original quanto brilhante desta poetisa, uma obra poética cuja “peculiar gramaticalidade (…) a colocou mais próxima da estética da poesia moderna”, logo, “excessiva em relação ao seu tempo” (pp.217-218). Para mim, simples apreciadora do universo da palavra escrita, ler Emily Dickinson é um agradável desafio. Há, de facto, alguns poemas mais herméticos, mas existem outros que são uma bela e feliz conjugação de palavras, plena de significado e significante. Agradeço, como leitora, a paginação efectuada neste livro onde surge, para cada poema, o original em inglês com a respectiva tradução ao lado, permitindo um perfeito desfrutar da obra de Emily Dickinson. Deixo-vos a transcrição de um dos mais belos que tive o prazer de ler.

Ample make this Bed
Make this Bed with Awe
In it wait till Judgment break
Excellent and Fair

Be its Mattress straight
Be its Pillow round
Let no Sunrise’ yellow noise
Interrupt this Ground