Notas de Leitura

Horta, Maria Teresa, As Luzes de Leonor. A Marquesa de Alorna, Uma Sedutora de Anjos, Poetas e Heróis, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2011.

Horta, Maria Teresa, As Luzes de Leonor. A Marquesa de Alorna, Uma Sedutora de Anjos, Poetas e Heróis, Alfragide, Publicações D. Quixote, 2011.

Este notável romance de Maria Teresa Horta é inspirado numa figura ímpar da nossa história política e literária, Leonor de Almeida Portugal, 4ª Marquesa de Alorna. De uma forma brilhante, a Autora revela-nos a vida de D. Leonor de Almeida e a época em que viveu – o Século das Luzes -, num trabalho alicerçado numa exaustiva e minuciosa pesquisa histórica. Leonor de Almeida deixou-nos uma importante obra poética e filosófica. Tal foi possível devido às circunstâncias que, desde cedo, marcaram a sua vida. Por ser neta dos justiçados marqueses de Távora, viu-se forçada, juntamente com a mãe e irmã, à reclusão no Convento de Chelas. Foi precisamente essa clausura, vivida entre os 8 e os 27 anos de idade, que lhe proporcionou uma esmerada educação literária e científica, educação essa que determinou a maneira singular e intensa como viveu a sua vida. Saída do convento em 1777, ano da morte do rei D. José, D. Leonor é acolhida na Corte de D. Maria I. Seria a própria rainha a apadrinhar o casamento de Leonor com um aristocrata alemão, o Conde de Oeynhausen, militar ao serviço do exército português. Essa união, contrariando de forma ostensiva a vontade paterna, permitiu que Leonor ficasse a conhecer as principais cidades e cortes da Europa. Em Viena de Áustria, onde o seu marido fora nomeado embaixador de Portugal, Leonor será notada pela sua beleza e pelo seu talento poético nos saraus literários que, entretanto, começa a frequentar. Depois do seu regresso a Portugal, viu-se hostilizada pela Corte do regente D. João, que dificilmente poderia entender uma mulher com tal dimensão científica e intelectual. Acusada de ser uma “perigosa jacobina”, acabaria expulsa do país em 1803. De novo, percorreria as estradas europeias, agora condenada à solidão e ao ostracismo.
Uma vida vivida em contradição com a mentalidade da época, com a sua perspectiva redutora acerca das mulheres, em particular, das nascidas no seio da aristocracia. Uma vida magistralmente revelada nesta obra de Maria Teresa Horta onde o rigor da História é sabiamente trabalhado com a beleza da Literatura.